quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Diagnóstico

Um velho doutor que sempre trabalhara no meio rural, lá pelas caatingas do Piauí, achou que tinha chegado a hora de se aposentar, após ter exercido a medicina por mais de 50 anos.
 Ele encontrou um jovem médico para o seu lugar e sugeriu ao novo diplomado que o acompanhasse nas visitas domiciliares para que as pessoas se habituassem a ele progressivamente.
 Na primeira casa uma mulher queixou-se que lhe doía muito o estômago.
 O velho doutor respondeu-lhe:
 – Sabe, a causa provável é que você abusou das frutas frescas… Por que não reduz a quantidade que consome?
 Quando eles saíram da casa o jovem disse:
 – O senhor nem sequer examinou aquela mulher… Como conseguiu chegar ao diagnóstico assim tão rápido?
 – Oh, nem valia a pena examiná-la… Você notou que eu deixei cair o estetoscópio no chão? Quando me abaixei para apanhá-lo, notei que havia meia dúzia de cascas de mangas, um pouco verdes, no balde do lixo. É provável que isso tenha lhe causado as dores. Na próxima visita você se encarrega do exame.
 – Humm! Que esperteza! Eu vou tentar empregar essa técnica.
 Na casa seguinte, eles passam vários minutos a falar com uma mulher ainda jovem.
 Ela queixava-se de uma grande fadiga:
 – Eu me sinto completamente sem forças…
 O jovem doutor disse-lhe então:
 – Você deu provavelmente muito de si para a igreja… Se reduzir essa atividade, talvez recupere um pouco de sua energia.
 Assim que deixaram aquela casa, o velho doutor questionou o novato:
 – O seu diagnóstico surpreendeu-me… Como é que chegou à conclusão de que aquela mulher se dava de corpo e alma aos trabalhos religiosos?
 – Eu apliquei a mesma técnica que o senhor me indicou: deixei cair o meu estetoscópio e, quando me abaixei para o apanhar, vi o padre debaixo da cama!

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