quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Coroné

Em tempos de eleição, dois candidatos mineiros adversários, um da cidade – o “Coroné” -, e outro caipira – o “Mineirim”, se encontram na mesma barbearia.
 Lá sentados, lado a lado, não se falou palavra alguma. Os barbeiros temiam iniciar qualquer conversa, pois poderia descambar para discussão, e o Coroné só andava armado.
 Terminaram a barba de seus clientes, mais ou menos ao mesmo tempo. O primeiro barbeiro estendeu o braço para pegar a loção pós-barba e oferecer ao Coroné, no que foi interrompido rapidamente por seu cliente:
 – Não, obrigado. A minha esposa vai sentir o cheiro e pensar que eu estive num puteiro.
 O segundo barbeiro virou-se para o Mineirim:
 – E o senhor? – indagou.
 – Uai, popassá, sô! A minha muié num sabe memo como é cheiro de puteiro… Nunca trabaiô pur lá…
 Dizem que a barbearia está fechada até hoje, para reforma.

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