quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Com toda naturalidade

O Encontro




3 da tarde de domingo, dia abafado de chuva e sol. Um casal se encontra pela primeira vez. Ele está nervoso porque veio direto de uma viagem de trabalho no interior do estado e acha que tem cara amassada e cheiro de carro. Ela é tímida e está insegura porque… bem… ela é insegura em relação a sua aparência.

O café dele já chegou e ela pede um café gelado, afinal o calor tá foda. Conversam sobre banalidades, família, trabalho… riem.

O déficit de atenção e hiperatividade dela a deixam ainda mais insegura, “e eu ainda tomei café…” ela pensa enquanto fala pelos cotovelos. Ele está cansado, mas luta contra os bocejos pra poder aproveitar a companhia.

Ela, controlando a timidez, começa a rasgar todo o jogo americano do café onde estão. Faz dois aviões de papel e conta da peste que era na escola.

O tempo passa, sentem-se à vontade. Riem.

Conversam sobre relacionamentos, bissexualidade, homossexualidade, sexualidade, felicidade… Ela nota que enquanto conversam sobre esse assunto, uma mulher em outra mesa, canta para a sua namorada, feliz e apaixonada. Sentados mais ao longe, dois homens dividem um pedaço de torta e a única coisa que ela pensa ao vê-los é “segura a vontade de comer torta, olha a dieta…”. Nem lembra daquela coisa chamada preconceito.

Falam gírias e palavrões. Riem. Ela tem que ir embora. Vão até o caixa e dividem a conta. Ao sair, jogam os aviões de papel pela rua.







Despedem-se.

Partindo ela pensa “Sou feliz por ser desta geração. Obrigada 2014, por permitir que um momento tão diversificado seja aproveitado de forma tão natural”.

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