quarta-feira, 22 de maio de 2013

Na Ausência dos Patrões

Aproveitando a ausência dos patrões, Dircinéia pega o telefone e
 fofoca com a amiga Craudete:
 -Oi, Crau, hoje de manhã eu fui à feira. Antes de sair, meu patrão
 me pediu pra eu trazer figo.
 Aí, eu perguntei: Figo fruta ou bife de figo?
 O home ficou uma fera.
 Gente fina, seu Adamastor, num ligo não.
 Ele tem sistema nervoso. Também, com um emprego chato daqueles, vou te contar…
 Ele é Fiscal da Receita. Deve ser um saco ficar conferindo receita de médico o dia inteiro, né não?
 Depois chegou o Adamastorzinho, o filho mais novo deles. Acabou de
 ganhar um carro todo equipado. Tem roda de maionese, farol de pilha,
 teto ensolarado e trio elétrico. Não sei pra quê trio elétrico num
 carro, deve ser porque ele gosta de música baiana.
 E cê sabe da úrtima? Eu discubri que aqui nessa mansão que eu trabaio é tudo fachada!
 - Como assim, Dircinéia ?- pergunta a colega, confusa.
 - Nada aqui é dos patrão ! Tudo é imprestado! TUDO! Cê cridita numa
 coisa dessas ?! Óia só: a rôpa que o patrão usa é dum tal de
 Armani… a gravata é dum tal de Perre Cardine… os móveis são do tal Luis quinzi, o carro é de uma tal de mercedes… nadica de nada é deles.
 - Nooooossa, que pobreza!
 - E além de pobre, eles são muito inzibido, magina que ôtro dia eu
 escutei o patrão no telefone falano que tinha um Picasso.
 - E num tem?
 - Que nada, fia… é piquinininho di dá dó!

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