quinta-feira, 23 de agosto de 2012

MARISTELA...

JORJÃO E A LEI MARIA DA PENHA.

Se havia algo que deixava o delegado Carlos Henrique consternado era choro de mulher. Ainda mais quando ela tinha 30 anos, era bonita e sensual:
 - Mas, o que foi que aconteceu, meu anjo? Conta pra mim…
 Maristela – esse o nome da vítima – fez beicinho:
 - Ele me bateu! Dr. Carlos Henrique trincou os dentes:
 - Ele, quem?
 - O Jorjão! Ele sentiu o peito arfar:
 - E quem é esse Jorjão?
 - É… Bem, como eu posso dizer? Ah, deixa pra lá, doutor. Acho melhor não registrar nada. Dr. Carlos Henrique pousou a mão naquele ombro macio, carnudo:
 - Posso lhe dizer uma coisa? Maristela ficou em silêncio. O delegado insistiu:
 - Com toda a experiência que tenho nesses casos? Ela balançou a cabeça, afirmativamente:
 - Pode!
 - Se você não denunciar esse patife, ele vai te bater de novo. Ela abriu o olho roxo:
 - O senhor acha?
 - Tenho certeza, meu doce… Alisou o hematoma:
 - Aliás, vou expedir uma guia para o Instituto Médico-Legal fazer o exame de corpo de delito. Está horrível… Apesar dos pesares, ela sorriu:
 - O senhor ainda não viu nada.
 - Ele fez pior ainda? Maristela pôs a mão na coxa:
 - Me deu um chute aqui…
 - Ficou a marca?
 - Uma mancha enorme.
 - Entre aqui no meu gabinete, que eu quero ver.
 - Então, feche a porta, doutor. Dr. Carlos Henrique deu três voltas com a chave e mais quatro com o ferrolho. Tapou o buraco da fechadura com uma fita adesiva:
 - Assim está bom?
 - Ótimo. Agora, ligue o ar e prepare uma bebida para nós dois. – Disse Maristela.
 - Vinho? Maristela mordeu o lábio ferido e exigiu:
 - Se tiver uísque, eu prefiro.
 - Tenho sempre um litro guardado para essas emergências, meu anjo. Puro ou com gelo?
 - Puro. O delegado serviu duas doses. Maristela pegou a sua e bebeu tudo em apenas três goles. Estalou os beiços:
 - Vou tirar a roupa.
 - Mostra tudo, meu doce. Quero ver todos os hematomas.
 - Apague aquela luz ali. Deixa só a do corredor… Dr. Carlos Henrique estava arrepiado:
 - Isto aqui tá parecendo estúdio da Playboy… Tira tudo, meu anjo, tira.
 - Tô tirando… Pronto! O delegado, nervoso:
 - Preciso acender. Quero ver de perto para poder descrever nos autos…
 Epa!
 - O que foi, doutor?
 - Você é homem, cara!
 - É com isso que o Jorjão não se conforma, doutor…

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