quinta-feira, 28 de julho de 2011

Só tenho 17 anos"

Tradução de Silvia Schmidt
Autor: Dr. Michael Lee Poling
Testemunha do fato, escreveu esse relato para um trabalho de
conscientização de Pais e Filhos.
Em Memória de Jimmy Rowe


O dia em que morri era um dia de ir à escola.
Como eu gostaria de ter ido de ônibus! Mas eu estava querendo mais.
Eu me lembro como chantageei minha mãe para pegar seu carro:
"Favor especial" eu disse, implorando. "Todos os meninos dirigem!"
Quando eram 2.45 da madrugada, joguei meus livros no armário.
Eu estava livre até as 8.40 do dia seguinte! Corri para o estacionamento,
excitado com a idéia de dirigir um carro. Ser meu próprio chefe.
Livre!

Agora não importa como o acidente aconteceu ...
Eu estava correndo feito um doido. Correndo riscos estupidamente.
Mas eu estava me divertindo e aproveitando minha liberdade.
A última coisa de que me lembro é que eu estava ultrapassando o carro
de alguém que ia horrivelmente devagar.
Escutei um estrondo ensurdecedor e senti um forte solavanco.
Vidro e aço voando para todo lado. Meu corpo parecia explodir por dentro.
Eu escutei meu próprio grito.

De repente eu fiquei imóvel. Um policial estava parado perto de mim.
Havia um médico e meu corpo estava mutilado.
Eu estava todo coberto de sangue.
Cacos de vidro estavam espalhados por toda parte.
O estranho é que eu não sentia nada.

Não! Não coloquem esse lençol sobre o meu corpo!
Eu não posso estar morto. Eu só tenho 17 anos!
Eu tenho um encontro hoje à noite.
Eu tenho que ficar adulto e ter uma vida maravilhosa.
Eu ainda nem vivi ... não posso estar morto!

Mais tarde fui colocado numa gaveta.
Meus amigos tiveram que me identificar.
Por que eles tiveram que me ver desse jeito?
Por que minha mãe teve que enfrentar a mais terrível experiência de sua vida?
Por que meu pai, de repente, parecia tão velho?
Ele disse para o homem de plantão: "Sim, este é meu filho".

O funeral foi uma coisa estranha.
Todos os parentes e amigos andavam em volta do caixão.
Eles passavam, um por um, e olhavam-me tristemente.
Alguns dos meninos estavam chorando.
Algumas garotas tocaram a minha mão e se afastaram angustiadas.

Eu queria que alguém pudesse me acordar e me tirar deste caixão!
Meus pais estão tão arrasados!
Meus avós tão chocados, que mal conseguem andar!
Meus irmãos e irmãs estão com os olhos parados
como zumbis e caminham como robôs.
Ninguém quer acreditar que isto aconteceu comigo.

Por favor, não me enterrem!
Eu tenho ainda muito para viver!
Eu quero correr e pular outra vez!
Eu quero rir e cantar!
Por favor, não me coloquem sob a terra.
Eu prometo que se eu tiver mais uma única chance,
serei o motorista mais cauteloso do mundo.

Por favor, Deus, eu só tenho 17 anos!

Jairo

Nenhum comentário: